Leopoldina


Sessão do Conselho de Estado
Óleo sobre tela, de Georgina de Albuquerque (1885-1962), 1922, retratando a Sessão do Conselho de Estado, presidida pela Princesa Leopoldina. 


(...) O processo de separação do Brasil e de Portugal estava em curso. Desde a Revolução Liberal do Porto de 1820, havia uma enorme pressão por parte do novo governo lusitano para que o Brasil fosse reduzido novamente à condição de colônia. Em fevereiro do ano seguinte, intimado pelas tropas portuguesas, d. João VI jurou fidelidade ao novo regime e, dois meses mais tarde, retornou para o Reino, deixando d. Pedro como regente.
A nova legislação portuguesa esvaziou os poderes do príncipe e ordenou a sua volta imediata a Portugal. Quando essas notícias chegaram ao Brasil, causaram revolta e indignação. Começava assim um movimento para impedir o retorno de d. Pedro e a esposa. Apesar das ordens do Reino, em 9 de janeiro de 1822, ele decidiu ficar. Após o Dia do Fico, em carta ao pai, ela declarou estar disposta a se sacrificar pela sua verdadeira pátria, o Brasil.
Em fins de julho começaram a circular rumores de que os portugueses enviaram tropas. D. Pedro reagiu à nova ofensiva recolonizadora publicando o manifesto "Aos povos do Reino do Brasil" que apontava para a "independência política deste Reino"  (Moraes, 1942). Leopoldina o defendeu e, em carta de 8 de agosto, pediu ao pai apoio para a ruptura total com os portugueses.
D. Pedro estava em viagem política, na província de São Paulo, quando, no fim de agosto, chegaram ordens de Lisboa cassando seus poderes. Na Quinta da Boa Vista, o Conselho de Estado se reuniu sob a presidência de Leopoldina. Ficou decidido que a hora da separação se aproximava. A princesa  e José Bonifácio enviaram cartas ao regente relatando os acontecimentos.
A mensagem de Leopoldina surtiu efeito sobre o marido. Por volta das quatro e meia da tarde do dia 7 de setembro, d. Pedro, que estava abatido, com diarreia, se refrescando no arroio do Ipiranga, recebeu as terríveis notícias. Bem ao estilo de sua personalidade intempestiva, decretou a imediata ruptura com o Reino.

Extraído de: BULCÃO, Clóvis. A austríaca que amou o Brasil. In: Nossa História. Set. 2004, Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, p. 32-3.

Reações: