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Caminho do Peabiru

Caminho de Peabiru
Considerado uma “estrada milenar”, o Caminho de Peabiru apresenta dimensões continentais, pois ligava o oceano Atlântico ao Pacífico. Começava na antiga Capitania de São Vicente, hoje São Paulo, cruzava o estado do Paraná, passava pelo chaco paraguaio, pela Bolívia, atravessava a Cordilheira dos Andes, atingindo o Peru e a costa do Pacífico. Segundo historiadores, havia outros ramais pelo litoral brasileiro, passando por Santa Catarina e também pelo Rio Grande do Sul. Ao todo, o Caminho deveria alcançar cerca de 3 mil km de extensão, 1,40 m de largura e 0,40 m de profundidade. Segundo relatos históricos, era forrado por gramíneas e alguns trechos por calçamento rochoso. Dizem que foi aberto pelos índios guarani em busca da “Terra sem Males”.


Pouco estudado pela arqueologia, devido inexistência de vestígios materiais consistentes, sua existência é historicamente inegável, tendo sido utilizado ininterruptamente até o século XVII, quando bandeirantes o utilizaram para destruírem cidades e missões jesuíticas. Como cenário de grandes e intensas migrações indígenas, pelo Caminho de Peabiru não só deslocavam-se pessoas, mas ideias eram transmitidas, produtos, trocados e inovações, disseminadas.

Glaucia Malerba Sene é professora colaboradora do Programa de Pós-graduação em Arqueologia do Museu Nacional (UFRJ) e autora da tese Indicadores de gênero na pré-história brasileira: contexto funerário, simbolismo e diferenciação social. O caso da Gruta do Gentio II, Unaí, Minas Gerais (USP, 2008).
Fonte: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/outros-caminhos

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